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Antônio Gonçalves Teixeira e Sousa
Defendo a publicação da obra completa de Teixeira e Sousa
por José Correia
Cabo Frio está comemorando mais um aniversário do escritor cabofriense e primeiro romancista brasileiro, Antonio Gonçalves Teixeira e Sousa (1812-1861). com a 18a edição da Semana. Nos jornais que editei. "Aqui" (1978-1989), "O Canal" (1990-1997) e "Jornal de Sábado" (desde 1997), "sempre dei destaque ao autor de "O filho do pescador", mesmo quando ele ainda não tinha virado celebridade.
E uma das idéias avançadas que identifiquei no trabalho de Teixeira e Sousa - escrevo Sousa com "s" porque era assim que ele queria ver seu nome estampado em seus livros - estava no ponto de vista do escritor: ver o negro não corno objeto, instrumento de trabalho - como era identificado na escravidão. força de trabalho -, mas como sujeito universal.
A Semana Teixeira e Sousa ainda não encontrou seu perfil. Já tive oportunidade de expor publicamente algumas idéias que, acredito, poderão ajudar a estruturar a Semana. Hoje Cabo Frio tem praticamente dois momentos literários: a Semana Teixeira e Sousa (em março) e a Festa Portuguesa (em outubro; este ano excepcionalmente em setembro). Cabo Frio pode vir a se tornar uma referência no mundo dos eventos literários quando estratégicamente "linear" a Festa Portuguesa - de caráter internacional - com a Semana Teixeira e Sonsa - nacional. Mas as duas precisam não só de investimentos como, principalmente, de projetos que as tornem complementares e não separadas, dissociadas. como acontece.
A Semana Teixeira e Sousa pode produzir mais que concursos literários, palestras, lançamentos de livros e apresentações musicais. Temos o produto nobre que são as obras de Teixeira e Sousa, grande parte sem reedição. Já sugeri que se crie uma Comissão Literária (o nome poderá até ser outro, mas a idéia é que interessa) formada por representantes da Academia Brasileira de Letras, de universidades públicas da área de literatura e da Academia Cabofriense de Letras, para que possamos a cada ano lançar na Semana Teixeira e Sousa uma obra do escritor eabofriense supervisionada por essa Comissáo.
A edição das obras completas de Antonio Gonçalves Teixeira e Sousa é um projeto que dará à Semana não só respeitabilidade nos meios literários e universitários - onde esses livros terão ingresso garantido - como visibilidade à Semana cabofriense. Não tenho dúvida em afirmar e defender que o lançamento das obras completas de Antonio Gonçalves Teixeira e Sousa - a cada ano, uma obra - é que dará o salto à Semana e o sentido de sua existência. o que realmente a diferenciará de qualquer outro evento literário nacional.
Em minha opinião, a Semana Teixeira Sousa é a que criará o público, é a que colocará Cabo Frio no mapa dos eventos literários para viabilizar então o espaço literário internacional da Festa Portuguesa. Não cabe mais tratar estes dois eventos separadamente, distanciadamente. como se um não tivesse nada a ver com o outro. E não cabe mais deixarmos de dar ao público a obra de Teixeira e Sousa adormecida em prateleiras esquecidas de bibliotecas públicas (como se encontra na Biblioteca Nacional).
por José Correia para o Jornal de Sábado, edição de 22/03/2008
Antônio Gonçalves Teixeira e Souza
por Demócrito de Azevedo
Há 146 anos morria de tuberculose mesentérica no Rio de Janeiro Antônio Gonçalves Teixeira e Souza pioneiro do romance nacional com a publicação em 1843 do "O Filho do Pescador". Apesar de todas as condições adversas. mulato e pobre vivendo apenas 49 anos Teixeira e Souza publicou com auxílio de seu amigo Paula Brito cerca de 10 livros e duas tragédias: Cornélia em 1840 (sendo por isso considerado o primeiro trágico) e o Cavaleiro Teutônico (tragédia em versos).
A critica e a historiografia literária brasileira através de seus nomes mais representativos, tem sido unâmines em conferir ao cabofriense, Antônio Gonçalves Teixeira e Souza o mérito de primeiro romancista brasileiro.
Silvio Romero afirmou: "O romance brasileiro teve sua fase embrionária no velho Teixeira e Souza; assumiu proporções de estudo social em Joaquim Manoel de Macedo; multiplicou-se para atender as cambiantes da nossa população em José de Alencar; adstringiu-se às populações campesinas em Fraklin Távora: tomou feições psicológicas em Machado de Assis, e naturalistas em Aluizio de Azevedo".
"Sua obra tem o não pequeno mérito de ser a primeira obra romancista do Brasil".
Alfredo Bosi: "Teixeira e Souza mestiço de origem humilde, a quem se deve a autoria do primeiro romance brasileiro - 0 Filho do Pescador".
Aurélio Buarque de Holanda: "Um mulato humilde de Cabo Frio foi o criador, no Brasil, de um gênero que viria a ter em dois outros mulatos do Rio de Janeiro - Machado de Assis e Lima Baneto - representantes altíssimos".
Assim, podemos concluir que a primeira obra a que se pode chamar romance brasileiro é, pois, "O Filho do Pescador". Com ele temos um caminho para outros. O patrono de nossa Academia é que dá começo a história do nosso romance - do romance brasileiro, situado no Brasil, feito por filho do País, de espirito formado na terra, e a ela radicalmente ligado.
Publicado no Lagos Jornal, edição de 19 de dezembro de 2007, por Demócnto de Azevedo, presidente da Academia Cabo-friense de Letras. Membro Titular da Academia Brasileira de Médicos Escritores ( 080322 - )
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