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ALFREDO RAINHO -
CAMINHOS DO VENTO
Roda de leme - refugiados
Em séculos passados as lutas de religião na Europa concorreram para que as pessoas abandonassem seus países ou cidades em busca de outro destino. Isso aconteceu com a maioria das religiões e seitas. Quando falamos de refugiados lembramos as hordas de famílias que abandonaram a Europa fugindo do nazismo alemão. Mas, considerando os números daquela época, a situação atual é muito mais grave, pois somam muitos milhões o número de pessoas fora dos lugares em que viviam ou trabalhavam, principalmente pelas guerras, guerrilhas e lutas civis.
Desde 1951, com a convenção de Genebra sobre refugiados foi estabelecida a UNHCR, uma agência das Nações Unidas. O número de refugiados em todo o mundo hoje monta a acerca de 20 milhões de pessoas, continua crescendo dia a dia. A colonização da África por países europeus gerou eestados independentes muitas vezes com fronteiras artificiais, cujos limites não correspondiam às terras habitadas por povos ou nações. Assim, a independência e criação desses "países independentes" não corresponderam à esperança dos povos que sempre viveram naqueles territórios. Os novos países simplesmente foram delineados conforme o território das antigas colônias, fossem inglesas, francesas, belgas ou portuguesas. Povos com uma língua e uma cultura própria de séculos passaram a conviver num mesmo país com outro povo de origem, lingua e cultura diferentes. Tudo isso gerou conflitos internos insolúveis.
A invasão do Afeganistão e do Iraque resultou em ondas e mais ondas de refugiados. Hoje somente na Síria e na Jordânia vivem dois milhões de iraquianos que fugiram da invasão americana e das lutas internas em seu país. Já a Síria e a Jordânia, abrigam por mais de meio século, milhares de palestinos expulsos por Israel de suas terra e agora recebem ainda os refugiados do conflito no Iraque.
A UNRHA tem em suas mãos um trabalho insano. Situações que se alongam por dezenas de anos e mesmo algumas já centenárias. Cada guerra gera nova onda de refugiados, cada conflito em países do terceiro mundo também.
Muitos milhares de cubanos, haitianos e outros latino-americanos residem nos Estados-Unidos. Cubanos que fugiram da ilha depois da vitória de Fidel Castro e haitianos que tentavam alcançar a Flórida perseguidos pelo regime do ditador "PapDoc" Duvalier e de sucessores. O golpe militar de 64 foi responsável pela leva de brasileiros que fugiram do regime no país, viveram como refugiados em países da América Latina e da Europa. Muitos voltaram e hoje mesmo exercem cargos políticos de relevo, outros acabaram fixando residência nos países que os acolheram, criaram família e obtiveram a nacionalidade do país.
Segundo a ONU 3 milhões de colombianos fugiram de seu país pelas guerrilhas entre o governo e a FARC. O Brasil não tem estatísticas sobre colombianos que se refugiaram no Amazonas e em zonas fronteiriças. Oficialmente somente 122 colombianos estão registrados como refugiados no país. O número deve chegar a muitos milhares, aumentando dia a dia.
Como todos nós compartilhamos este planeta Terra, temos de aprender a viver em harmonia e em paz com todos e com a natureza. Isso não é um sonho, mas uma necessidade". Palavras de um refugiado, o líder religioso tibetano Dalai Lama, que vive exilado em Dharamsala, na Índia, desde a ocupação em 1950 do Tibete por tropas chinesas. Publicado no Jornal Costa do Sol, Armação dos Búzios, 14 de abril de 2007, pág. 4. Veja também...
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