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Roberto
Leo Ramasauskas nasceu na Vila Zelina ao lado da Vila Prudente e
Moóca, locais em São Paulo aonde se desenvolveu a
cultura italiana, assim como Bela Vista, Freguesia do Ó,
Vila Romana e Lapa.
Então, comer em São Paulo é a possibilidade
de encontrar a comida italiana em todos os cantos. A pizza italiana
faz parte dessa presença.
Roberto
(filho de lituano e polonesa) convivendo com essa cultura, não
escapou de apreender os segredos das cantinas da Moóca.
Chegou em definitivo na Região dos Lagos em 1982. Antes,
só para visitar o irmão que era o vigário da
Igreja de São Pedro.
O primeiro forno foi construído para as crianças do
colégio da igreja queimarem seu artesanato. A idéia
de fazer pizza surgiu nas férias das crianças, quando
o forno e a escola estariam parados. Não
parou de fazer pesquisas com fornos (usando tijolos de demolição
de casas antigas) e experiências com alimentos, procurando
fazer o mais natural possível, como os ancestrais da verdadeira
pizza faziam.
"Uma boa farinha, uma boa água e um bom fermento. E
esse fermento tem que ser cultivado pela gente mesmo, pois os comerciais
não são viáveis. Ele deve ser natural, proveniente
de uma alga... segredo!. E
o tomate tem que ser fresco, sem agrotóxicos" -
sentencia Roberto.
Assim,
fez diversos cursos, entre eles, o de mussarela e fabricação
de diversos queijos. "Talvez uns 3 ou 4, aqui no Brasil, fazem
mussarela com a maior dignidade".
Para
Roberto, "as pessoas estão se conscientizando que as
coisas naturais são mais viáveis para o organismo"
- e sua horta sem produtos químicos e com adubação
orgânica é que fornece os alimentos básicos
para a pizzaria.
- A verdadeira pizza é feita diretamente na pedra e não
em formas de alumínio. O forno deve permanecer aberto e deve
ser alimentado com lenha. Em exatos 3 minutos está pronta
uma pizza ancestral !
A cinza do forno de lenha é rico em potássio, que
serve de adubo, junto com o esterco dos patos criados também
por ele, para a horta de rúcula, de manjericão, de
chile.. sim chile ! Aquela pimenta usada pelos mexicanos em seu
pratos! Esta pimenta tem uma característica peculiar. Serve
como vasodilatador, abre o apetite como todas as pimentas, mas sua
ação fica restrita à boca !
Além
de todos esses ingredientes fielmente reproduzidos é necessário
carinho para fazer uma boa massa.
É preciso calma... nada de socar a massa ! É necessário
senti-la... A vovó é quem faz o melhor bolo não
é ? É porque ela tem reumatismo... não consegue
fazer rápido !
Mas ele faz outras coisas, como comidas alemãs, pães
especiais, coalhadas, sorvetes italianos (especiais com creme de
leite e gema de ovo), salsichas brancas e vermelhas.
A
atual Pizzaria Don Roberto está instalada em terreno que
era do irmão ao lado do Hospital, em São Pedro da
Aldeia.
O forno foi confeccionado pelo próprio D. Roberto com tijolos
com mais de 150 anos. O teto é de zinco !! Não fura.
As madeiras que sustentam o telhado eram os antigos postes da estrada
de ferro. São de aroeira e têm mais de 100 anos de
idade, conta orgulhoso Don Roberto...
Lá, você vai ver um aquário de água salgada.
Não se trata apenas de um aquário, mas da reprodução
de um ecossistema. A iluminação é controlada
reproduzindo o nascer e o pôr do sol, para que os peixes não
fiquem estressados com o movimento noturno da casa. O nascer do
sol do aquário se dá por volta das 18:30.
A água vem da lagoa misturada a água doce em proporções
exatas. - O Ph da água é medido pelo Roberto com um
equipamento digital.
"Para
fazer neném é necessário um Ph equilibrado
! O homem é alcalino e a mulher é ácida. Os
povos antigos, nossos ancestrais, conheciam essa verdade. Os lituanos
e alemães comem a carne de porco, mas equilibram com o chucrute.
O gaúcho come aquela carne toda mas equilibra com a erva
mate do chimarrão. E assim é também com a pizza.
O molho de tomate fresco faz o papel do ácido que equilibra
o Ph da massa e da mussarela alcalinas." - conclui sabiamente,
Don Roberto.
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