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FARFALHAR - CABO FRIO
Carnaval de 2008 - o desfile das Escolas de Samba
cabfar0710


Antiga Abissinia é campeã do Carnaval de 2008, em Cabo Frio.

Veja o resultado do Grupo Especial:
( 1 ) Antiga Abissinia, com 198,7 pontos
( 2 ) Em Cima da Hora, com 198,1 empatada com
( 3 ) Império de Cabo Frio, com 198,1 (pelo quesito "Bateria", Em cima da Hora ficou em segundo).
( 4 ) Flor da Passagem, com 197,1 pontos
( 5 ) Paz e Harmonia, com 196,7 pontos
( 6 ) Banda da Cidade, com 194,8 pontos
( 7 ) Unidos do Aquárius, com 183,8 pontos
( 8 ) Point 44, com 177, 8 pontos

No Grupo de Acesso A
( 1 ) Unidos do Valão, com 198,3 pontos
( 2 ) Vermelho e Branco, com 198,2 pontos
( 3 ) Sol a Sol, com 195,5 pontos
( 4 ) Só Pra Sambar, com 183,2 pontos
( 5 ) Cabeçorra, com 182,3 pontos

No Grupo de Acesso B
( 1 ) União dos Bairros, com 196,8 pontos
( 2 ) Acadêmicos de Tamoios, com 194,1 pontos
( 3 ) Unidos da Esperança, com 192,5 pontos
( 4 ) Arrastão da GB, com 188 pontos
( 5 ) Acadêmicos do Jardim Esperança, 171,9 pontos

<<< As fotos das 8 escolas do Grupo Especial estão nesta galeria - é só clicar para sua ampliação.


Carnaval e História do Carnaval ( * )
Festas carnavalescas, carnaval, escolas de samba, história do carnaval, origens, escolas de samba vencedoras dos últimos carnavais no Rio de Janeiro e em São Paulo.,

O carnaval é considerado uma das festas populares mais animadas e representativas do mundo. Tem sua origem no entrudo português, onde, no passado, as pessoas jogavam uma nas outras, água, ovos e farinha. O entrudo acontecia num período anterior a quaresma e, portanto, tinha um significado ligado à liberdade. Este sentido permanece até os dias de hoje no Carnaval.

O entrudo chegou ao Brasil por volta do século XVII e foi influenciado pelas festas carnavalescas que aconteciam na Europa. Em países como Itália e França, o carnaval ocorria em formas de desfiles urbanos, onde os carnavalescos usavam máscaras e fantasias. Personagens como a colombina, o pierrô e o Rei Momo também foram incorporados ao carnaval brasileiro, embora sejam de origem européia.

No Brasil, no final do século XIX, começam a aparecer os primeiros blocos carnavalescos, cordões e os famosos "corsos". Estes últimos, tornaram-se mais populares no começo dos séculos XX. As pessoas se fantasiavam, decoravam seus carros e, em grupos, desfilavam pelas ruas das cidades. Está ai a origem dos carros alegóricos, típicos das escolas de samba atuais.

No século XX, o carnaval foi crescendo e tornando-se cada vez mais uma festa popular. Esse crescimento ocorreu com a ajuda das marchinhas carnavalescas. As músicas deixavam o carnaval cada vez mais animado.

A primeira escola de samba surgiu no Rio de Janeiro e chamava-se Deixa Falar. Foi criada pelo sambista carioca chamado Ismael Silva. Anos mais tarde a Deixa Falar transformou-se na escola de samba Estácio de Sá. A partir dai o carnaval de rua começa a ganhar um novo formato. Começam a surgir novas escolas de samba no Rio de Janeiro e em São Paulo. Organizadas em Ligas de Escolas de Samba, começam os primeiros campeonatos para verificar qual escola de samba era mais bonita e animada.

O carnaval de rua manteve suas tradições originais na região Nordeste do Brasil. Em cidades como Recife e Olinda, as pessoas saem as ruas durante o carnaval no ritmo do frevo e do maracatu.

Os desfiles de bonecos gigantes, em Recife, são uma das principais atrações desta cidade durante o carnaval.

Na cidade de Salvador, existem os trios elétricos, embalados por músicas dançantes de cantores e grupos típicos da região. Na cidade destacam-se também os blocos negros como o Olodum e o Ileyaê, além dos blocos de rua e do Afoxé Filhos de Gandhi.

Escolas de Samba Vencedoras nos Últimos Carnavais no Rio de Janeiro :
1998 - Mangueira
1999 - Imperatriz Leopoldinese
2000 - Imperatriz Leopoldinese
2001 - Imperatriz Leopoldinese
2002 - Mangueira
2003 - Beija-Flor
2004 - Beija Flor
2005 - Beija-Flor
2006 - Unidos de Vila Isabel
2007 - Beija-Flor

Escolas de Samba Vencedoras nos Últimos Carnavais em São Paulo :
1998 - Vai-Vai
1999 - Vai-Vai, Gaviões da Fiel
2000 - Vai-Vai, X-9 Paulistana
2001 - Vai-Vai, Nenê de Vila Matilde
2002 - Gaviões da Fiel
2003: -Gaviões da Fiel
2004 - Mocidade Alegre
2005 - Império de Casa Verde
2006 - Império de Casa Verde
2007 - Mocidade Alegre
( * ) por http://www.suapesquisa.com/carnaval/

Desfiles da Escolas de Samba - fev2007, em Cabo Frio - Resultado ( * )
Império de Cabo Frio é a grande vencedora dos desfiles das Escolas de Samba de Cabo Frio com 197,4 pontos
Em segundo lugar "Em Cima da Hora" com 195,7
Em terceiro "Flor da Passagem", com 194,4
Em quarto, "Banda da Cidade" com 193,9
"Paz e Harmonia" em quinto com 190,8 e "Antiga Abissínia" com 183,4 pontos, em sexto.

Desceram para o Grup A: "Unidos do Valão" com 168,4 pontos e "Vermelho e Branco" com 173,9 pontos.
Subiram do Grupo A para Especial no próximo ano: "Unidos do Aquarius" com 195,3 pontos e "Point 44" com 192,5 pontos.

Desceram do Grupo A para o B: "Unidos dos Bairros" com 181,6 pontos e "Jardim Esperança" com 177,9 pontos.

Subiram do Grupo B para o Grupo A - "Sol a Sol" com 200,8 pontos e "Só para Sambar" com 199,1 pontos.
"Sol a Sol" foi a Escola de Samba que obteve a maior pontuação (200,8) entre todas as escolas participantes.
( * ) veja mais em >>> Farfalhar de Cabo Frio de Cabo Frio - fevereiro de 2007


Boitatá abre a folia no Rio de Chuva
Bloco que não amplifica os seus instrumentos leva uma multidão à Praça 15 logo de manhã. Nem a chuva que caiu o dia inteiro atrapalhou a festa de paz pelas ruas, que teve ainda como destaques o "SImpatia é Quase Amor", que desfilou em Ipanema, e o Bangalafumenga, já tradicional no Jardim Botânico.
por Janaina Linhares ( * )

Ontem pela manhã (03/02), um dos blocos mais tradicionais do Rio animou as ruas do centro da cidade e fez todo mundo dançar ao som das marchinhas, do frevo, do samba e do maxixe. O Cordão do Boitatá saiu às 9h da Rua da Assembléia. No primeiro momento um mar de guarda-chuvas tornou conta da paisagem, mas aos poucos a animação invadiu os foliões, que se renderam ao destino que São Pedro reservou ao desfile.
Com o aumento do número de seguidores do Boitatá, o percurso do bloco teve que ser encurtado e pelo terceiro ano consecutivo o grupo reunu os festeiros no baile final na Praça XV.
- O Boitatá é o único bloco do Rio que tem a estrutura do cortejo seguido de baile. Não temos carro de som, é tudo acústico. Essa estrutura foi intitulada de Caldeirão do Boitatá e, como a gente pode ver, nem a chuva apagou o fogo deste caldeirão. A originalidade do nosso carnaval é que faz o nosso sucesso. O único criténo do Boitatá é usar fantasia, por isso quem vem sem fica deslocado - disse o produtor do evento, Márcio Brow.

Por falar em fantasia, a produção ideal para a festa foi uma das preocupações de muitos foliões. Um grupo de 10 amigos, todos cariocas, se empenharam na hora da escolha da roupa.
- Este é o terceiro ano que seguimos o Boitatá, sempre fantasiados. Neste carnaval viemos todos de malandro para representar o carioca na sua essência - declara a enfermeira Carla Franca. de 25 anos. A amiga Roberta Nascimento, também enfermeira completou
- E para mostrar que a mulher também pode ser malandra.

Andre Esteves mais um dos malandros descreveu o despertar do grupo. As poucas horas de sono não é problema para trupe.
- Dormimos todos em uma mesma casa, em Botafogo. quando amanheceu todos os celulares começaram a tocar ao mesmo tempo. Teve até uma corneta para fazer levantar quem ainda estava na cama.

O Boitatá é o único bloco do Rio que tem a estrutura do
cortejo seguido de baile. E tudo acústico
Márcio Brow, produtor do evento

Este é o terceiro ano que seguimos o Boitatá, sempre fantasiados. Neste carnaval viemos todos de malandro - Carla Franca - Enfermeira

Apesar do clima de curtição, carnaval também é festa para se curtir em família. O estudante de psicologia Pedro Botafogo, 23 anos, arrastou a mãe Márcia Limani, 54 anos, para o bloco. A artista plástica parecia animada.
- Sempre tive vontade de sair no Boitatá, mas a preguiça não deixava. Desta vez tomei coragem. Dormi cedo, preparei minha fantasia, coloquei confete e serpentina na bolsa e vim curtir.
Para o jornalista Bruno Menezes. fantasiado de bobo da corte e experiente em blocos - desde quinta-feira ele está curtindo vários deles sem parar - o Boitatá é o melhor do Rio. Aqui a galera é muito maneira, o pessoal vem fantasiado e curte mesmo. Fica cheio, mas não fica tumultuado. É uma desorganização organizada.
( * ) por Janaina Linhares para o Jornal do Brasil, edição de 04/02/2008


História de Cabo Frio contada pelo arrastão ( * )
Maior concentração de alegria por metro quadrado, os blocos de arrastão fazem a festa dos foliões e esquentam o clima do Carnaval. Com músicas divertidas ou marchinhas antigas, eles levam multidões atrás da bateria. A multidão vestida ã fantasia, com máscaras ou quase sem roupas. se mistura a confetes, espumas e serpentinas, na maior festa popular do planeta.

Arrastar-se pelas ruas de Cabo Frio com o batuque dos blocos é tradição das mais antigas e, segundo o historiador Célio Guimarães, importante elemento de formação da identidade cultural do cidadão cabofriense. A rica história dos blocos e ranchos (modelo precursor da escola de samba) na cidade, na opinião dele, faz do natural de Cabo Frio "um folião por natureza".
- Não sei o que começou primeiro em Cabo Frio, se os blocos ou os ranchos. Mas acho que foram os blocos, porque temos notícias de blocos já na segunda metade do século 19. Os ranchos foram muito importantes na primeira metade do século 20 - conta ele.

Entre os blocos mais antigos, Célio cita Tupy, Guarany e Tubarão. Além das marchinhas de Carnaval que faziam sucesso na época, como as da compositora Chiquinha Gonzaga, que se eternizou na Música Popular Brasileira com o sucesso "O Abre Alas", Cabo Frio também oferecia o talento de seus compositores no Carnaval. Homens como Pequenino de Gangá e Clodomiro Guimarães, pai de Célio, fizeram sucesso com marchinhas na época.
- O Carnaval tem grande importância na formação do cabofriense. A cidade se prepara para a festa, e por isso é um momento tão alegre. Sempre foi assim, e continua sendo - afirma o historiador.

Ranchos começaram com Flor da Passagem
Acompanhando o pai na organização dos ranchos de Carnaval, já em 1938, quando tinha oito anos de idade, Célio Guimarães guardou na memória as marchinhas compostas por José Loyola, o Mímica, cantadas em coro naquele ano. Segundo Célio, o primeiro rancho da cidade foi o Flor da Passagem, que hoje é escola de samba e desfila no Grupo Especial do Carnaval de Cabo Frio.
-Os ranchos tinham alas, como a das baianas, e outros elementos que depois passaram para as escolasde samba. A figura da porta-bandeira começa nos ranchos. que também tinha o baliza, que era quem acompanhava a porta-bandeira. Algumas pessoas usavam a criatividade, como Zé Barbosa, que pegou uma carroça e fez um carro alegórico para desfilar nas ruas de Cabo Frio. Outras pessoas também se destacaram nos ranchos, como o maestro Gessé Menezes - explica Célio Guimarães, citando outros ranchos como Violeta, Galho Verde, Verde Galho, União das Flores e o da Sociedade Musical Santa Helena.

Para os mais velhos, o Carnaval dessa época deixa saudades. Apesar de sentir falta dos tempos antigos, a centenária Aracy de Menezes Brandão, que há dois meses completou um século de vida, ainda faz questão de sair nos blocos de arrastão. A bateria dos blocos a motiva de tal forma que, mesmo enfraquecida por uma pneumonia, ela já foi para as ruas e quer curtir todo o Carnaval.
-Gosto muito do Carnaval. No meu tempo de menina, era muito bom, nos divertíamos demais e era mais tranqüilo. Hoje está tudo diferente, mas durante o Carnaval a alegria é a mesma. Eu tive uma pneumonia e estava um pouco fraca, mas quando ouvi a bateria logo me animei. Esse som é muito gostoso. Vou continuar aproveitando o Carnaval da forma que puder - disse Aracy, que festejou ontem no bloco "A Moda C", que saiu pela manhã na orla da Praia do Forte.
( * ) de Tomás Baggio para o jornal Folha dos Lagos, edição 2e3 de fevereiro de 2008


Onde a folia começou - por José Facury Heluy ( • )
"Os primeiros ranchos carnavalescos de Cabo Frio foram o Guarani, Jardineiro e Flor da Passagem. O Guarani era um rancho enorme, saia com a tribo inteira, só de índio puro. Era bloco de caboclos, tudo vestido de saco, pele de bichos, couro de jacaré. O Guarani era dos baixios de Cabo Frio. A Jardineira e Flor da Passagem eram os ranchos da Passagem...

Tinha aqui dois partidos políticos que popularmente se chamavam Lira e Jagunço, que acabaram também sendo representados por duas bandas de músicas que brigavam entre si, como os músicos eram os mesmos que tocavam nos ranchos, então já viu... 0 pessoal da Passagem queria se desligar de Cabo Frio por conta disso.

Os ranchos disputavam um com outro. 0 rancho para ganhar partia para a disputa no meio da rua. Os pandeirões é que iam marcando o tempo da marcha, só nos intervalos que entravam os sopros e a disputa comia a noite toda. Naqueles tempos, não existia jurado, o povo era quem julgava. Quando baixava a corda, iam os reis e rainhas disputar, ver quem era mais ligeiro para ganhar a rainha um do outro. Um saía fora, o outro entrava, todo fantasiado, dançando, pegava a rainha dele e pronto.

Não existia mestre-sala e porta- bandeira naquele tempo. Era rei e rainha. As escolas de hoje é que deram esses nomes. A porta-bandeira era a rainha. Rei e rainha na frente. Valia a disputa do Rei e rainha na frente. Valia a disputa do rei dançando com aquela ventarola em volta da rainha, para tirá-la do outro. Quando ele bobeava entrava o outro e tomava a porta bandeira.

O gupo de jurados entrou mais tarde, através do Clube de Turismo Tamoio. Eles mandavam a gente se organizar e esperavam os ranchos e as escolas lá na frente do clube, e aí começavam as fofocas. E a gente partia para outra marcha disputada. De acordo com a letra, eles iam apurar qual é a que estava mais chegada à ciência: se a marcha do Verde Galho ou da União das Flores. A que mexesse mais inteligentemente com a outra nos versos era a vencedora. As marchas disputadas tinham emoção. Quando acendia o fogo da bengala, o povo era uma pressão carnavalesca que precisava ver.

Os Guaranis tinham a marcha dolorida, quando batia assim na rua, tinha muita briga. Uma vez eles se encontraram com a Jardineira lá na Rua Direita que os chamou de espora e aí foi que o pau comeu mesmo...

As costureiras preparavam tudo escondido e faziam fantasias belissimas, só se via no dia do desfile de Carnaval. Era a surpresa„

Essa narrativa sobre o carnaval antigo da cidade feita pelo saudoso poeta popular e artesão Antônio de Castão, na série "O Artista Popular e seu Meio", publicada pela Funarte em 1989, além de nos informar da força popular da nossa tradição momesca, serve para nos indicar que as coisas começaram bem antes de nós, serve para demover os nossos preconceitos excludentes e nos indicar que esse completíssimo material de pesquisa, hoje esgotado, precisaria de uma nova edição para informar a todos nós das belezas culturais da nossa cidade.
( • ) por José Facury Heluy é teatrólogo e delegado do Sindicato dos Artistas, para o jornal Folha dos Lagos, edição de 30/01/2008

 
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