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FARFALHAR - CABO FRIO
O desfile das Escolas de Samba de Cabo Frio, em março de 2003
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Cabo Frio - 500 anos de Animação - Carnaval
2003
Banda da Cidade é a vencedora do desfile do Grupo Especial. Em segundo
lugar, muito perto na pontuação (diferença de 1/2 ponto), o G.R.E.S. Vermelho
e Branco.
Banda da Cidade foi fundada em fevereiro de 2001 e seu presidente é o Paulinho
Ferreira. Verde, vermelho, amarelo e azul são as cores da escola. O enredo "Do
Egito pelo Rio, a loura foi parar em Cabo Frio" é de Jean, Gayli, David
e Jorginho Batuqueiro, e a interpretação vencedora por Bira, Toninho e Jean.
Vermelho e Branco foi fundada em janeiro de 1983 e tem como seu presidente
Júlio César da Conceição. As cores, claro: vermelho e branco. O enredo "E
vai rolar a festa" é de Jorginho Batuqueiro, Jean, Bira do Kô e Deivinho.
A interpretação ficou por conta do Claudinho e Claucimar.
Já na noite anterior (2) houve um empate no "Grupo de Acesso", entre "Paz
e Harmonia" e "Flor da Passagem".
Participaram do desfile: (já com o resultado do jurí)
Grupo de Acesso:
Unidos do Aquárius (6º) - Paz e Harmonia (1º) - Em Cima da Hora (3º) - Praia
do Siqueira (4º) - Cabeçorra (5º) - Sorriso do Jacaré (7º) - Flor da Passagem
(1º) e Unidos do Valão (2º)
Grupo Especial:
Point 44 (4º) - Acadêmicos do Jardim Esperança (5º) - Império de Cabo Frio (3º)
- Banda da Cidade (1º) - Antiga Abissinia (3º) - Vermelho e Branco (2º).
Arte Bonequeira
Os organizadores homenagearam por intermédio da arte bonequeira, já
tradicional em Cabo Frio (Moisés Senos, Célia Lima, Tânia
Arrabal, Marina Vergara, Ellen Mona, José Facury, seguidores de Miguel
Escuma, Zé Barbosa, Chico Lima e Clarêncio Rodrigues), várias
personalidades e figuras populares (levantamento dos pesquisadores Meri Damasceno
e Ítalo Luiz):
Amena Mayall (Amélia Maria Gaspar da Rocha Mayall), nascida no Rio,
em 1943. Sensível intelectual com veia popular. Foi presa, na década
de 70, acusada de pertencer ao Partido Comunista Brasileiro Revolucionário.
Veiu para Cabo Frio aonde fundou a primeira Associação de Meio
Ambiente da Região (AMARLA), Fez levantamentos, estudos e pesquisas sobre
a arte popular local, que começava a ser massacrada pelo turismo predador.
Organizou o Centro Manoel Camargo, em Arraial. Amou intensamente e saiu de nosso
convívio, tragada pelo mar da Praia Brava.
Antônio de Gastão (Antônio de Barros da Cruz), nascido
em Cabo Frio, em 1912. Pescador, poeta, escultor, bonequeiro, músico.
Era profundo conhecedor do mar, da flora e da fauna da restinga. No livro "O
Artista Popular e seu Meio", publicado pela Funarte, em 1989, descreve
as transformações de Cabo Frio, a partir da ótica das camadas
populares, usando como referências, a pesca, o carvão, a agricultura,
o sal e as festas do divino. Acabou como uma das referências de denúncias
contra a deterioração da natureza.
Celinho (Célio Ramos Ferreira), foi músico, pescador e
surfista. Um dos fundadores da Associação de Surf de Cabo Frio.
Tocava em alguns blocos carnavalescos da cidade e também na Banda Santa
Helena onde com outros músicos fundou o bloco "Coça-Coça".
Chico Estevão (Francisco Estevão Fernandes), nascido em
Cabo Frio, em 1886, fundou em 1930 a Escola de Samba Paz e Harmonia.
Chico Ribeiro (Francisco Ribeiro de Almeida), nasceu no bairro Vila Nova.
Foi sindicalista ativo dos Arrumadores de Cabo Frio. Preso em 1958 por atividades
"subversivas" e acusado de ser um dos incentivadores da manifestação
popular "Cabo Frio só com água e luz". Em 1964, foi
cassado e preso em Niterói. Foi vereador por duas vezes.
Chico Twist (Francisco de Alves de Lima) nasceu em Mossoró (RN),
em 1942. Bonequeiro, artesão em madeira e espuma. Criou o Grupo Raio
de Sol, onde utilizava fantoches, marionetes, mágicas, estórias
e o mundo encantado da animação.
Curica (José Vargas Trindade). Homem de muitas habilidades sempre
se destacava no que fazia. No futebol tinha um chute tão potente que
fazia com que goleiros dos times adversários o temessem.
Danilson (Danilson Lopes Barreto), foi um dos fundadores do Bloco da
Rama. Foi diretor da Escola de Samba Império de Cabo Frio. Era no Bar
do Carolino ou Escritório do Dani, como era conhecido, que reunia amigos
para o tradicional cozido.
Democra (Democraciano dos Santos), nunca dispensava nas festas oficiais
de Cabo Frio, seu impecável terno de linho branco ornado com uma de suas
inúmeras gravatas borboletas - um contador de histórias e ditos
populares.
Dinarte (Dinarte Melo Cordeiro), natural de Campos. Em 1960 funda o FotoRex.
Dona Bebela (Florisbela Rosa da Penha), cabofriense nascida em 1900,
junto com o seu marido Aspino, fundaram na década de 20, o Rancho Carnavalesco
"União das Flores". Uma vida dedicada as festas populares de
Cabo Frio.
Eduardo Passos (Eduardo Manoel Passo de Souza). Nascido em 1941, na cidade
do Porto (Portugal), veiu ao Brasil aos 18 anos onde cursou a Escola Paulista
de Belas Artes. Artística ecológico, escultor e fotógrafo,
realizou 40 exposições entre coletivas e individuais.
Ercília (Ercília dos Santos Machado). Nascida em 1922,
em Cabo Frio. Dona de casa, mãe, católica apostólica romana,
sambista por excelência e apaixonada pela Escola de Samba Antiga Abissínia,
levada a vida na forma que mais gostava, numa roda de samba. Irmã de
Joveliano, fundador do Clube Folha de Parreira, trazia no sangue as marcas do
samba. Ela nos deixou a menos de um ano e já temos saudades.
Gandola (Gelson Francisco da Costa), nascido na Passagem, Gandola conquistou
em 1975, no Perú, o Campeonato Mundial de Pesca Submarina.
Ito do Violão (Hilton Silva). Neto da saudosa "mocinha puba",
Ito herdou da avó a alegria e a naturalidade. Junto com Abel, pai de
Budega, tocava no Clube São Paulo, de Aspínio Rodrigues.
Jô Figueiredo (Jornaldo Felix Figueiredo), criou a Associação
das Escolas de Samba e Liga, tendo sido o seu primeiro presidente. Militar,
sociólogo e jornalista, fez sucesso com sua coluna no jornal "O
Cabofriense", que era escrita ao seu melhor estilo: leve e irônico.
João Marciano (João Batista Guimarães), nascido em
Cabo Frio (1914), conhecido como "Pescador", pois distribuia sua pesca
entre os vizinhos, fundou a Escola de Samba Recordação do Passado,
em 1947. Foi um grande incentivador de nosso carnaval.
Mané Sapo (Manoel José Nogueira), natural de Cabo Frio
(1901), foi uma figura popular que resgatava a memória cultural da cidade,
através de suas criações poéticas e brincadeiras.
Um mês antes de seu falecimento (1987) o Bloco Carnavalesco "Vem
que Tem", fez uma linda homenagem com Mané Sapo.
Marilena Alves (Marilena Alves Walta Wanzeck Teixeira), radialista competente,
fez sucesso, ainda no Rio, com o programa "Aquarela Sertaneja". Mudou-se
para Cabo Frio na década de 60, onde inaugurou o badalado restaurante
Dom Bosco. Fundou o jornal "O Cabofriense", junto com os jornalistas
Heraldo e Francisco. Mantinha com a radialista Simone, na Rádio Cabo
Frio, o programa "A Mulher é quem manda".
Oswaldo Rodrigues dos Santos - aos 18 anos, fundou dentre outros, a Sociedade
Musical Santa Helena. Incansável músico, fundou também
a Sociedade Musical 13 de Novembro e a APAE de Cabo Frio, em 1920. Foi vereador
por diversas vezes - foi contra a bomba atômica, a favor da paz e defendeu
"O Petróleo é Nosso".
Otília (Priscila dos Santos Oliveira Roque) - nascida em São
Pedro da Aldeia - figura popular que ficava na porta do Convento "controlando"
as pessoas.
Palhaço Chupeta (Plínio Lessa Carneiro), carioca, ficou
famoso pela solidariedade no resgate de crianças perdidas nas praias
durante os quentes verões de Cabo Frio.
Paulo Gil (Paulo Gil Andrés Senos), começou como baleiro
do Cine Recreio, aos nove anos. Carnaval, futebol e política. Por vários
anos no carnaval era o melhor puxador do Bloco Sem Barreira. Brincava e dançava
com Zé Barbosa e seus bonecos. Como goleiro fez seu time Tocaia de Nilton
Sampaio ser campeão diversas vezes, fato esse, que levou a Associação
Atlética Cabofriense a comprar seu passe.
Scliar (Carlos Scliar), nascido no Rio Grande do Sul foi um menino prodigio.
Aos 11 anos começava a colaborar em cadernos infanto-juvenis. Aos 15
anos participou como pintor amador em exposição. Vai para Itália,
junto com a FEB, aonde nas horas de descando desenha retratos, paisagens e interiores.
A partir da década de 60, passa a viver exclusivamente da arte. É
considerado pela crítica como um dos mais importantes pintores brasileiros.
Tinha um ateliêr em Cabo Frio na rua do Canal, aonde teremos uma fundação
dedicada a sua obra.
Sr. Praxedes (José Praxedes), Dedeco na Álcalis e Praxedes
para Antiga Abissínia. Passista maior da Escola, era Abissínia
de coração. Em seu último carnaval foi um guerreiro, interpretando
um personagem que no samba homenageou Zumbi dos Palmares.
Sr. Tonga (Ayrton Christovam dos Santos), trovador fervoroso e ativo, poeta,
cronista. Professor de Matemática era um especialista em multiplicar
relações humanas e humanitárias.
Veludo (Jovelino da Silva), no carnaval era puxador, compositor de samba
e passista. Em 1972, junto com alguns amigos, fundou a Império de Cabo
Frio. No bairro do Itajurú, ainda hoje, não se fala de samba sem
se lembrar de Veludo.
Wolney (Wolney Teixeira de Souza), filho de Antonio Mota de Souza, herdou
do pai a profissão de fotógrafo. Artista raro e também
flautista, Wolney tem seu acervo, o maior do gênero, guardado por seu
filho Warley que dá continuidade ao ofício de registrar com sua
câmara a história do município.
Zé Barbosa (José Barbosa Guimarães), nascido em
Cabo Frio (1901). Construiu na década de 30 um salão enorme de
bambu e chão batido, aonde se fazia apresentações de teatro
de bonecos junto com o seu amigo Antonio de Gastão. Criou as famosas
"cabeçorras" que deu origem ao Bloco Cabeçorras.
Zé de Dome (José Antônio dos Santos), consagrou-se artista
plástico em nosso país e também no exterior. Morou em Cabo
Frio nos últimos dezessete anos de sua vida - você tem no Charitas
uma parte da obra do Zé de Dome (em carater permanente).
Zé de Quincas (Joaquim da Silva), cabofriense de 1976, com uma
vida marcada de aventuras, tragédias e muita liberdade - andava de bicicleta
no corrimão da ponte Feliciano Sodré, caia no canal com bicicleta
e tudo e ia aparecer bem distante, num fôlego inacreditável. Atravessou
a Baia de Guanabara a nado e muitas outras travessuras. Morreu, após
bebedeira, com o fogo de uma vela em sua cama.
(030304 - Parabéns
aos organizadores, diretores das escolas, participantes e público. Um evento
civilizado que enriquece a nossa cultura. Participaram da matéria: Aretuza
Nogueira, dBarros e Raquel Kremer - fotos: GENTE praias / dBarros)
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