
|
ROBERTO HEFLER -
DE BEM COM A VIDA
Professora Gilda!
Professora Gilda!
Uma declaração tardia de amor aos verdadeiros mestres
Não sei se sou um Peter Pan ou se acabei de entrar numa máquina do tempo e retornei a 1967, com meus onze anos, iniciando uma nova etapa. Estou no pátio daquele colégio, com o uniforme caqui e o casaco cor de vinho, levando orgulhoso no peito o bordado branco. Sou importante, muitos ficaram de fora e foram para os colégios pagos.
As instalações me assustam, piscina, anfiteatro, laboratórios, sala de projeção, alguns colegas do curso de admissão... Quase tudo novo!
Entra o primeiro professor; um sujeito por detrás de imensos óculos, com ar risonho, o professor de Desenho, estava ali a iniciação a criatividade, a inovação. Em seguida entra uma mulher séria com aparência, que fique aqui entre nós, de megera... Era a professora de História, e têm inicio nossas aulas de objetividade.
Novo dia e as opiniões já circulando, quando adentra nossa sala, com as mãos sobre a volumosa barriga, um senhor baixo, com um ar de infinita bondade e cumprimenta-nos com uma voz pausada, quase cansada. Começamos a conhecer a verdadeira paciência, mas confesso que não devo ter absorvido tão bem assim...
Não me lembro se foi nessa seqüência, mas entrou o tal professor com cara de mau... Realmente, dava medo olhar para aquelas sobrancelhas grossas, franzidas acentuavam aqueles olhos profundos, petrificantes... A coisa ficou preta, ordem era a palavra de ordem! Disciplina, aos poucos fomos entendendo a diferença entre medo e respeito...
E naquele entra e sai, me assustava com tantos professores, entrou você, a prima-dona do Alberto Conte, a musa de todas as classes, a paixão daqueles adolescentes. A partir daquele momento eu constatava tudo o que se falava sobre Dª Gilda. Ao contrário das prima-donas, você era simples, tinha um sorriso amplo, não sei se era por culpa dos teus cabelos, mas competia com a luz que vinha daquelas imensas janelas, você era mágica, o substantivo logo se transformou em adjetivo...
E entre tantos professores, tantas novas matérias, tantas formas diferentes de perguntas e respostas, vocês foram aos poucos nos ensinando a raciocinar, a formular nossas opiniões, a viver um livro... Começávamos a deixar de ser figurantes para sermos protagonistas.
Em meio ao clima de um regime que só consegui entender alguns anos mais tarde, vocês sumiram, eu particularmente me preocupei com dois professores: Issac e Gilda, um pela admiração ao caráter forte, direto, a forma como nos formulava os problemas, o grande desafiador! E você, pelas aulas diferenciadas, pela maneira como nos fazia brincar com os textos, com as poesias, mas principalmente pela minha insistente e platônica paixão... Por onde andava a minha Gilda?
Lógico que com a ausência, a paixão foi esmorecendo até transformar-se numa doce lembrança, as alterações hormonais foram tomando sentido, o platônico já não satisfazia, a consciência do momento ia tomando forma e a preocupação ao mesmo tempo em que aumentava, se distanciava. As aulas já não eram mais as mesmas, eu já não era aluno do curso ginasial, agora era simplesmente aluno do primeiro grau. E que pensava já saber alguma coisa, fora rebaixado. Verdadeiros Professores foram substituídos por meros professores, verdadeiras aulas foram substituídas por verdadeiras farras.
Comecei a trabalhar aos quatorze anos, não por necessidade, mas por vontade própria, a escola já não era mais que um simples fardo depois de um delicioso dia de trabalho, o prazer em trabalhar nunca me abandonou, primeiro em administração, onde construí uma carreira que podemos dizer de sucesso, cheguei ao primeiro escalão de uma empresa. Foi quando o prazer no meu trabalho deixou de existir e resolvi jogar tudo pelos ares e recomeçar. Fui buscar algo que realmente fizesse me reapaixonar. Fiz e ainda faço muitas coisas que me dão imenso prazer, dentre elas o prazer de escrever minhas críticas político-administrativas, minhas crônicas ácidas e despretensiosas, provocar as mulheres e algumas raras vezes arriscar um ou outro poema.
Muitas vezes tropeço na ortografia, na concordância, aqueles erros que levariam a mais amada de todas a Professoras a um daqueles explosivos momentos... Mas perdoe, até naqueles momentos você era apaixonante...
E hoje, eu que não sei se sou Peter Pan ou se entrei numa máquina do tempo, não sofro de crises de identidade, me ensinaram a pensar, a expor aquilo que sinto, a estruturar pensamentos e valores e me ensinaram a ser um eterno apaixonado, pela vida e pela Gilda! 060401 - Roberto Hefler Administrador de Empresas, Consultor Senac, Docente em Marketing e Gestão Empresarial Veja também...
081124 - Bem mais que uma boa idéia
070511 - A Melhor Amiga do Homem
070302 - Muito além de uma boa idéia
070212 - No youtube a gente acha!
061207 - Não tenho pena do diabo!
060925 - Eleições - um estatuto sem ética?
060810 - Vou dar uma banana pra minha caipirinha
060702 - Motivos não nos faltam
060511 - Viu no que deu?
060401 - Professora Gilda!
060222 - Não pesco mais
060102 - É hora de festa!
051201 - Viva os Burros!
051101 - Quem tem queixo de vidro
050909 - Procura-se!
As matérias anteriores você encontra pela janela de BUSCA (que está no cabeçalho )
|