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Hotelaria fluminense recebe novos investimentos
RIO - Depois do surto de dengue, a hotelaria no Rio de Janeiro passa por um bom momento. Além das expectativas de maior crescimento do setor na capital - impulsionadas com a escolha da capital entre as quatro cidades finalistas que disputam a chance de sediar os Jogos Olímpicos de 2016 -, os municípios do interior do Estado têm atraído importantes redes hoteleiras.
- O grande crescimento da hotelaria no Rio se dará na Barra da Tijuca porque ela já recebeu investimentos durante o Pan-Americano e dispõe de uma infra-estrutura, como arenas multiuso e autódromo, além de oferecer grandes espaços para a construção de hotéis de grande porte, seguindo a tendência mundial de hotéis com mais de 400 quartos. Na Zona Sul não tem mais espaço – disse o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-RJ) Alfredo Lopes, acrescentando que a média anual de crescimento no Rio é de 1000 quartos.
Lopes destaca que os investimentos em hotelaria que beneficiam o interior do Estado são bem equilibrados.
- A hotelaria do Estado tem um crescimento uniforme nas diversas regiões. Macaé é um pólo hoteleiro corporativo que cresce com o desenvolvimento petrolífero. Itaguaí tem uma expansão prevista enorme da indústria hoteleira devido à siderurgia. As cidades rurais do ciclo do café, como Conservatória, têm altas taxas de turistas nos feriados. E a Região dos Lagos representa um grande filão – enumera Lopes.
Região dos Lagos
Búzios é um exemplo consagrado da vitalidade do turismo fluminense. Os hotéis da cidade faturam uma média de R$ 50 milhões por ano, de acordo com dados da secretaria de Turismo da cidade.
- Do meio do ano passado para cá, foram inaugurados vários hotéis em Búzios, entre eles os hotéis Insólito, Terra e Mar e Pontal da Ferradura (na praia da Ferradura), o Santorini (em João Fernandes) e o Marina e o Ariaú Búzios (na baía Formosa) - disse o chefe de gabinete da secretaria de Turismo de Búzios, Leopoldo Volk.
A cidade, que tem no turismo e nas atividades relacionadas ao setor (comércio e serviços) a sua principal fonte de renda, é conhecida por receber turistas estrangeiros.
- Os argentinos estão entre os turistas que mais vêm a Búzios. Agora os chilenos, os uruguaios e os peruanos estão descobrindo a cidade. Entre os brasileiros, os mineiros são a maioria nas férias de fim de ano. Já os cariocas costumam passar mais os feriados e fins-de-semana – observa Volk, acrescentando que a cidade tem oito mil leitos para os visitantes e recebeu cerca de 300 mil passageiros de navios de outubro de 2007 a abril deste ano.
O aumento do fluxo de turistas em Búzios foi alavancado por iniciativas estruturais, como a construção do Aeroporto de Cabo Frio.
- A construção do Aeroporto Internacional de Cabo Frio impulsionou o turismo com os outros países do Mercosul, com preços mais acessíveis. Além disso, a proximidade de Macaé, que é um pólo de atração do turismo de negócio, ajuda no desenvolvimento do setor no local – pondera Lopes.
Costa Verde
Angra dos Reis, na região da Costa Verde, é outro município que se destaca no turismo fluminense. O número de turistas na cidade cresceu 19% de 2007 para este ano, de acordo com dados da Fundação de Turismo de Angra dos Reis.
- Esse crescimento foi graças ao apagão aéreo, que beneficiou o turismo rodoviário. O fato de Angra estar bem situada, entre Rio e São Paulo, também ajudou – disse a diretora executiva da Fundação de Turismo de Angra dos Reis, Cristiane Brasil.
Angra, que recebe em média R$ 250 com gastos diários por cada turista, também ganhou novas unidades hoteleiras.
– O número de hotéis passou de 170, no ano passado, para 186 este ano, o que indica uma alta de 9%. Entre os novos hotéis em Angra, estão o Mercury e o Meliá. Houve uma negociação entre a prefeitura com essas novas redes hoteleiras, para que elas treinassem a mão-de-obra local – explicou Cristiane, ressaltando que o turismo gera cerca de 10 mil empregos em uma população de 144 mil pessoas, sendo a principal receita da cidade.
Para o presidente da ABIH-RJ, o aquecimento do turismo fluminense é reflexo de uma economia mais estável.
- O brasileiro começou a viajar mais pelo país, e ninguém viaja só com o dinheiro do arroz e do feijão. Isso acontece também devido ao incentivo de programas federais como o da terceira idade e passaporte – pondera Lopes. - Antes, apenas uma classe pequena dos brasileiros viajava, e escolhia em geral o exterior como destino. Agora, com o dólar mais barato, você tem um mercado interno ativo e bastante expressivo. ( 080613 - Débora Motta, para o JB Online )
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