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Moluscos essenciais - Nível do mar recuou 2 metros em 4.000 anos
RIO - Há quatro mil anos, o mar tomava parte do território do Estado do Rio. Um estudo elaborado pelo doutor em geologia pela UFRJ Fábio Ferreira Dias, em parceria com o biólogo André Breves, doutorando do Museu Nacional da UFRJ, revelou que, desse período para cá, o nível do mar baixou assustadores dois metros no estado. Para chegar a esses dados, eles fizeram pesquisas de campo com moluscos vermetídeos vivos e fossilizados, comparando a posição dos dois em costões rochosos da Baía da Ilha Grande. Na parte do estudo realizada na Região dos Lagos, Dias usou também outros indicadores de variação do nível do mar, como cracas, galhos de mangue e conchas.
Os levantamentos foram feitos na Baía da Ilha Grande e na Região dos Lagos, mas Dias esclarece que mais estudos serão necessários para que se tenha um quadro mais preciso:
- Na pesquisa, houve, sem dúvida, uma variação geológica entre as áreas estudadas. Pode-se dizer que, numa média, o recuo do nível do mar no estado foi de cerca de dois metros num intervalo entre 5.500 e 2.800 anos atrás.
O estudo revelou ainda que o nível do mar oscilou fortemente num período maior. O primeiro registro, de 6.600 anos atrás, é de menos meio metro em relação ao padrão atual. Cerca de 1.500 anos depois, no entanto, o nível do mar apresentou forte variação positiva, chegando a dois metros acima da média de hoje. Dessa época em diante, os registros mostram uma curva descendente. Dias ressalta, porém, que a última datação é de 1.900 anos atrás, o que impede uma avaliação do mar desse período para cá.
O estudo com vermetídeos foi acompanhado por André Breves:
- Como biólogo, eu só estudava a parte viva desses moluscos. Ele acrescentou os subfósseis. Fez coletas e encaminhou para datação em institutos dos Estados Unidos e da Ucrânia.
Na simulação de Dias, de como estava o território do estado quatro mil anos atrás, boa parte da Região dos Lagos aparece tomada pelo mar, transformando a ponta de Arraial do Cabo e Búzios numa enorme ilha. Outros especialistas projetaram situações semelhantes. O engenheiro da Coppe/UFRJ Paulo Cesar Rosman, por exemplo, lembrou que dois metros a mais seriam suficientes para que a Lagoa Rodrigo de Freitas se espalhasse até a encosta do Corcovado.
O fato de o nível do mar ter baixado no estado não significa necessariamente que o fenômeno tenha se repetido no mundo. Segundo o oceanógrafo Leonardo Marques da Cruz, há vários processos locais que influenciam nesta variação. É possível, inclusive, ter havido aumento do nível em outra área no mesmo. ( 100116 - O Globo On Line, 16/01/2010 às 18h59m )
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