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Lançamento
do livro de Antonio Terra (dia 15 de agosto)
O livro mais aguardado da literatura regional, vai ser lançado
na sexta-feira, dia 15, na Casa dos 500 anos, em Cabo Frio. Trata-se
de "Crônicas", livro de Antonio Terra, que faleceu
em 1995.
O
livro é resultado do empenho do sobrinho de Antonio Terra,
Antonio Paulo Terra Ruckert, que reuniu as crônicas de seu tio
e conseguiu o patrocínio da Prefeitura de Cabo Frio para a
impressão.
"São
108 crônicas que abordam histórias da vida cotidiana
acontecidas em Cabo Frio, Arraial do Cabo, São Pedro da Aldeia
e Araruama".
Segundo Antonio Paulo, o livro tem 275 páginas, quatro páginas
com uma abordagem biográfica de Antonio Terra, foto da casa
onde o escritor viveu e a reprodução de uma de suas
crônicas.
Antonio
Terra nasceu em Cabo Frio em 1913 e era formado em odontologia, como
seu irmão Theonas Terra. Exerceu a profissão em Araruama,
São Pedro da Aldeia e Cabo Frio. Com sua irmã Cândida,
Antonio Terra morou por muitos anos na "Villa Cândida",
casa construida por seus país em 1926, onde hoje está
instalado o Centro Comercial Antonio Terra, em frente à Praça
Santo Antonio, em Cabo Frio.
Antonio
Terra estaria feliz com esse livro
Entrevista com Antonio Paulo, que articulou o lançamento do
livro de seu tio Antonio Terra.
Há
mais de um ano, Antonio Paulo Terra Ruckert está diretamente
envolvido com a publicação do livro de seu tio Antonio
Terra (1913-1995), "Crônicas".
No ano passado veiu da Suécia, aonde vive, com esse propósito.
Ainda no ano passado, ele teve de retornar à Suécia.
Agora, de volta, vê seu sonho e o sonho da familia Terra realizado:
a publicação de um livro de crônicas do autor
mais estimado da região, Antonio Terra.
(Entrevista concedida a José Correia - Jornal de Sábado)
O
que levou você a se interessar e a fazer contatos para que o
livro do seu tio Antonio Terra fosse publicado?
Antonio Paulo - Em princípio, essa idéia sempre
esteve em minha cabeça. O seguinte: o que tio Antonio escreveu
das pessoas, das coisas, de Cabo Frio, inclusive no que diz respeito
a casas, ruas, becos, travessas, tudo isso foi objeto de atenção
dele e às vezes até em detalhes, coisa que o povo de
Cabo Frio de um modo geral não tinha conhecimento na sua amplitude
e ele traduzia essa curiosidade que ele tinha e passava isso para
o povo. Bom, você José Correia, foi uma das pessoas que
mais editou tio Antonio. Mas, é claro, a edição
do jornal AQUI era periódica e ninguém poderia imaginar
que ele e o povo de Cabo Frio fossem armazenar todas aquelas crônicas.
Bom, dai a necessidade de se fazer o livro de tio Antonio juntando
todas as crônicas que a gente conseguiu para serem publicadas,
como o resgate da memória de Cabo Frio.
Há
quanto tempo esse projeto está na sua cabeça?
Antonio Paulo - Esse projeto sempre esteve em minha cabeça.
Sempre que ele escrevia, ele mandava a crônica para mim, enviando
para a Suécia, e de lá eu juntava e pensava em fazer
um livro dele. Claro que eu pensava em fazer com ele vivo. Mas ele
era meio arredio, ele não gostava disso, não. Então,
assim que eu voltei ao Brasil, ele já falecido, isso começou
a aflorar. Numa conversa com a filha dele, ela também manifestou
a intenção de que esse livro fosse publicado. Era um
desejo dela. Feito isso, eu tomei contato com Acyr Rocha e Acy me
disse: "Olha, a pessoa indicada para isso é José
Correia, não somente pela amizade que ele tinha com Antonio,
mas pela possibilidade de ter um maior número de crônicas",
Aí, eu procurei você.
Hoje
está se lançando o livro de Antonio Terra. Você
acha que ele estaria feliz, mesmo arredio como era?
Antonio Paulo - Ah, muito feliz. A questão dele ser arredio
a isso, era todo esse emaranhado que a gente viveu, para que esse
livro se tornasse realidade. Foi preciso, naturalmente, entrar em
contato com vários setores da sociedade. Acyr nos ajudou estabelecendo
contato com o prefeito, que viabilizou a verba para essa publicação.
Conta
pelo menos uma passagem que você acha que caracterizaria bem
Antonio Terra.
Antonio Paulo - Recordação do tio Antonio eu tenho
muitas porque desde pequeneninho, quando vivendo em Minas eu vinha
para Cabo Frio e para onde eu ia é para onde tio Antonio morava.
Vamos para a aldeia, como ele dizia. Ele não chamava de São
Pedro. Ele chamava de aldeia. E lá na aldeia, ele sempre passeava
comigo, me levava na loja do turco para comprar camisa, passeava de
barco, me levava no campo de futebol, no café do Badu, briga
de galo. Então, tinha sempre uma coisa. Eu me sentia bem com
ele e ele comigo. Porque teve uma época que eu morei com ele
aqui em Cabo Frio no mesmo quarto e conversávamos muito, ríamos
muito, trocávamos muitas idéias. Ele realmente gostava
muito de mim e eu me sinto muito orgulhoso de ter sido sobrinho dele.
(030815) - publicado originalmente no Jornal de Sábado - 09/08/2003
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