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Entrevista de Sábado
Gustavo: "O projeto 500 Anos está só começando"
Entrevista para o JORNAL DE SÁBADO com Gustavo Beranger que
aposta que o Projeto 500 anos se prolongue para sempre.
O vereador Gustavo Beranger - que ao lado do secretário
municipal de Cultura, Milton Alencar, coordena o Projeto 500 Anos
de Cabo Frio - fala nesta entrevista sobre a programação
da Casa 500 Anos para os meses de outubro e novembro e as idéias
que animam o projeto. Para Gustavo, as controvérsias locais
sobre o ponto de desembarque de Vespúcio não impedem
o valor maior que Cabo Frio tem de possuir monumentos históricos
do século XVII. "O que nos interessa é mostrar
ao mundo que somos uma cidade histórica", defende Gustavo.
Além de livros, teatro e festivais, o projeto lança
um Seminário no início de novembro.
A dois meses e meio do final do ano, quais sãos os projetos
da Casa 500 Anos?
Gustavo Beranger - Aquele espaço foi criado para ser
o centro de trabalho visando desenvolver o projeto. Como a Casa
é muito grande procuramos ocupá-la com apresentação
de exposições, lançamentos de livros, enfim a
projeção da nossa história. O objetivo é
torná-la um centro de interesse histórico. Naquele
local, o visitante poderá ter acesso a um conjunto de maquetes
de pontos históricos, fotografias antigas e atuais, os livros
paleografados da Câmara Municipal e da secretaria de Fazenda,
assistir a um filme de 12 minutos retratando os pontos históricos
do município e, eventualmente, exposições que
estão acontecendo. Os alunos da rede pública e particular,
previamente agendados, nos dias de 5ª e 6ª feiras, têm
comparecido - inclusive de outros municípios -, onde, além
da visita, assistem a um teatro de bonecos do Clarêncio relatando
um pouco de nossa história. Tem sido um sucesso. Durante o
mês de outubro, estaremos abrindo novas exposições
como os trabalhos de Célio Ramos, conhecido por Celinho, de
Antonio de Gastão, a exposição do pau-Brasil
que estava no Convento Nossa Senhora dos Anjos, a 3ª edição
do livro "Dados Históricos de Cabo Frio" de Abel
Beranger e no dia 27, segunda-feira, será feito o lançamento
do livro "Um português sem pátria" do autor
José Correia. Ainda na Casa dos 500 Anos funcionará
até novembro a Casa de Cultura em virtude das reformas do Charitas.
Ainda este mês acontece o Festival da Canção dos
500 Anos, cujo a final deverá ser entre 29 e 30 de outubro
na praça Porto Rocha.
Ainda na programação, o que está previsto
para novembro?
Gustavo Beranger - Além da programação
já tradicional - desfile escolar, entrega do Título
de Cidadão Cabofriense -, o mês de novembro será
um mês dedicado à solidificação do projeto.
Faremos a realizacão de um Seminário entre os dias
4 e 5 discutindo a história com palestrantes como, Eduardo
Bueno, Márcio Werneck, Comandante Max Guedes e Aroldo de Lima.
E fechando o Seminário com entrevistas com autores cabofrienses
como Hilton Massa, José Correia e pesquisadores convidados.
Este seminário, aberto ao público, será no Teatro
Municipal e é direcionado também aos alunos de nível
médio e superior. Ainda no mês de novembro, provavelmente
no dia 15, uma grande programação com a presença
da Orquestra Sinfônica dos Fuzileiros Navais, com a representação
da chegada de Américo Vespúcio e a ocupação
solene no Morro do Arpoador, local da instalação da
primeira feitoria do Brasil. No dia 16, corrida rústica dos
500 Anos programada pela Secretaria de Esportes, no final do mês
lançamento de 3 novos livros contando a história do
Município de Cabo Frio, Inauguração do Charitas
e o premio Teixeira e Souza de Literatura.
A Casa dos 500 Anos também tem o projeto de ir à
Abav?
Gustavo Beranger - Entre 23 e 25 sob a coordenação
da secretaria de Turismo estaremos no Rio Centro levando o projeto
Cabo Frio 500 Anos de História como marca do Turismo para os
próximos anos. Este será o tema quando pretendemos
dizer que além de praias belíssimas, Cabo Frio tem uma
história rica. Na ABAV estarão presentes mais de 5 mil
pessoas vinculadas diretamente ao turismo.
No carnaval de 2004, Cabo Frio participa diretamente?
Gustavo Beranger - A Imperatriz Leopoldinense, todos sabem, escolheu
o tema Cabo Frio e sua História e a transformou no enredo "BREAZAIL".
Dia 19 será escolhido o samba cujo nome Cabo Frio estará
na letra. No mês de fevereiro, por ocasião do carnaval,
Cabo Frio estará projetado internacionalmente através
da sua história. A cidade e o comércio, os hoteleiros,
o nosso patrimônio histórico, terão que estar
preparados para recepcionar os turistas que virão, creio, após
essa grande divulgação. A cidade de Cabo Frio ganhou
um grande presente e todos precisam se conscientizar para que não
façamos uma propaganda enganosa. Nosso desejo é que
o projeto seja abraçado por toda sociedade.
A iniciativa privada tem apoiado o projeto?
Gustavo Beranger - Alguns segmentos vestiram a camisa, como se
diz. Porém, eu esperava mais do comércio local, o que
mais rapidamente ganhará com o projeto 500 anos de historia
de Cabo Frio.
Como você quer explorar a história?
Gustavo Beranger - Por exemplo, recuperar nosso acervo histórico,
o que já está sendo feito, como a restauração
do Charitas, a ocupação do espaço onde foi criada
a primeira feitoria do Brasil no morro do Arpoador, a ser inaugurado
no dia 15 de novembro. Da mesma forma, estamos procurando entendimento
com a Igreja Matriz e o Convento Nossa Senhora dos Anjos para o mais
rapidamente, ainda para o próximo verão, criarmos um
roteiro turístico histórico.
O Forte São Matheus está também dentro do
projeto?
Gustavo Beranger - Estamos procurando abrir no Forte, no dia 15
de novembro, uma exposição da Marinha do Brasil. Faremos
uma grande apresentação festiva com a presença
da Orquestra Sinfônica dos Fuzileiros Navais e, como já
dissemos, a ocupação em definitiva do local onde foi
construída a primeira feitoria do Brasil. O prefeito, em boa
hora, atendendo ao Projeto, declarou de utilidade pública aquele
espaço e estamos desenvolvendo com a doutora Roseana um Projeto
de Ocupação do Morro do Arpoador destinando-o à
visitação publica.
Mas o acervo patrimonial do município é composto
de outros bens. O projeto vai chegar a eles?
Gustavo Beranger - Para este verão se pudermos colocar
à disposição da população o Forte
São Matheus, a feitoria do Morro do Arpoador, as Igrejas Matriz
e do Convento, o Charitas e a própria Casa dos 500 Anos com
exposições permanentes acreditamos que já demos
um grande passo. O Projeto 500 Anos está apenas começando.
Pretendemos prosseguir na recuperação do restante do
acervo patrimonial.
O Centro de Memória ainda sai para este ano?
Gustavo Beranger - Como disse, o Projeto Cabo Frio 500 Anos
de História começou este ano e se prolonga para sempre,
pelo menos em mais 500 anos. O Centro de Memória é um
exemplo. Estamos em conversação com a UVA, Universidade
Veiga de Almeida, desenvolvendo todo um trabalho de recuperação
de objetos, fotografias, a nossa memória oral, virtual e iconográ-fica.
A Casa dos 500 Anos está destinando um local onde a equipe
em convênio com a UVA irá fazer as primeiras apresentações
e exposições. O Centro de Memória só será
possível se a sociedade colaborar, interagindo com o projeto.
Há uma polêmica regional sobre a localização
da feitoria. Arraial do Cabo também defende que foi lá
a chegada de Américo Vespúcio.
Gustavo Beranger - Cabo Frio é mãe de 44 dos 92
municípios do Estado do Rio. Entre eles, Arraial do Cabo, que
emancipou-se a poucos anos atrás. É o 7° município
mais antigo do Brasil. O acervo patrimonial de Cabo Frio, que nos
projeta como cidade histórica, está aí para ser
visto. Forte São Mateus, Convento Nossa Senhora dos Anjos,
Igreja Matriz e a Capela Santo Ignácio, em Campos Novos, são
marcos vivos construídos entre 1550 a 1700. A localização
da feitoria, embora seja importante, é, na verdade, um detalhe
na história de Cabo Frio. Pela configuração
geográfica, pela acessibilidade da enseada do Morro do Arpoador
- antes o Morro do Arpoador era uma ilha -, pela construção
da Casa da Pedra francesa ali localizada e que posteriormente em 1615
foi fundada a cidade de Cabo Frio, nos faz afirmar, corroborando com
o historiador Márcio Werneck, que ali foi criada de fato a
primeira feitoria do Brasil. É lógico que existem controvérsias.
As informações com cinco séculos já passados
não podem ser precisas. Há, por exemplo, quem defenda,
como o historiador Lourenço Fernandes, que foi na Ilha do Governador
. Eduardo Bueno em seus últimos livros editados afirma que
foi em Cabo Frio. O que nos interessa é mostrar ao mundo que
somos uma cidade histórica. Que a Região, filha do município
mãe, faça a mesma coisa
(031018) - Originalmente publicado
no JORNAL DE SÁBADO, de 18/10/2003
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