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A farra da Rita não é para boi dormir, mas para deixar a
indústria do rodeio com dor de cabeça. Soberana absoluta e santa protetora do rock
brasileiro, Rita Lee sempre se preocupou com gente e animais. Seu trabalho antigo de ajuda
a diversas creches e asilos de menores e maiores carentes nunca foi apregoado, mas seu
amor pelos animais a fez entrar de peito aberto em choque com a indústria
multimilionária do rodeio (o de Barretos, o maior de todos, movimenta US$200 milhões). Nossa
guerreira humanimitária volta ao Rio hoje e amanhã no Metropolitan com seu show Meio
Desleegada , numa versão enxugada por conta da crise que nos assola. Rita anuncia que
está apenas com um sopro, Dirceu Leite, Fabinho nos teclados e vocais e a banda de base
de sempre: Lee Marcucci (baixo), Paulo Zingre (bateria), Ar Dias (percussão), Beto Ele
(guitarra) e Roberto de Carvalho (teclado, violão e direcção musical). No repertório,
a revisão de carreira do disco acústico e possíveis surpresas que podem incluir um de
seus primeiros hist. da carreira solo, Mamãe Natureza.
Quando não está no palco, Rita está combatendo declarações como a dos
organizadores do festival de Barretos de que o sedém, um instrumento que aperta os
testículos do touro, levando-o a corcovear de dor e raiva, não desgasta mais um animal
do que um dia de trabalho na fazenda. Ela diz que vários barbaridades são cometidas: ''Tenho
um vídeo de peões bêbados depois de um rodeio cortando um boi vivo aos pedaços que é
de vomitar. O pobre animal não tinha 'pulado bonito' e este foi seu castigo! O mundo
acabou, éramos infelizes e sabíamos"
Rita é destemida, não teme as represálias e nem a perda do mercado das feiras
pecuárias para seus shows. "Nunca aceitei esses convites e não vou
perder meu soninho com as portas delas se fechando para mim. Não sou ingênua, sei muito
bem com que bandidalha malandra estou mexendo. Esta indústria de rodeios movimenta
milhões de dólares às custas do sofrimento dos animais e tem comprado vários
políticos safados para simplesmente ignorar a lei dos Crimes Ambientais, fazendo vista
grossa para o circo de horrores que acontece com os bichos nos bastidores desses eventos.
Sou apenas uma pobre cigarra no meio de formigueiros gananciosos"
Mais bala. "A indústria do rodeio lobotomizou a genuína festa
caipira! Hoje, o peão de boiadeiro, aquele garotão que no meu tempo domava o bicho com o
maior carinho, virou clone de cowboy americano e baba violência por todos os poros. Nosso
Jeca Tatu sempre foi um pacifista, hoje ele é ''atleta'' da tortura e se chama Jonh
Wayne! E para os que defendem rodeios porque geram empregos, defendo a liberação do
jogo, que geraria muito mais campo de trabalho ainda e de uma maneira não violenta!"
Quem está acostumado a ver Rita Lee como uma entertainer inteligente, que
sempre pontuou suas críticas políticas e sociais com humor, pode estranhar a seriedade
atual, mas a crueldade contra os animais para ela não tem a menor graça e Rita nem teme
a turbulência que isso possa causar na sua vida, abrindo mão de uma tranquilidade que
poderia prezar acima de tudo depois de tantos anos de estrada e de vida.
"Ah! as amarguras da vida...e quem não as tem? Não fico chorando
pitangas diante delas, o que me preocupa realmente é o sofrimento fútil porque passam os
animais do Brasil. Não pretendo criar polêmicas com artistas que prestigiam rodeios,
gostaria apenas que eles vendessem suas presenças para eventos mais nobres; mas a grana
corre altíssima no 'Cáuntry' Darth Vader! O fato é
que o grande público brasileiro ignora as várias práticas de torturas que acontecem
antes do bicho entrar em cena, muitos acreditam que o animal pula porque não é
domesticado porque é bravo, ou que o hediondo sedém provoca apenas cócegas. Tenho uma
farta documentação comprovando todo tipo de abuso como cacos de vidro, cigarros acesos,
pedaços de pau e outras barbaridade introduzidas no ânus do bicho para que ele pule
feito louco. Outra coisa que eu gostaria de ressaltar é que, nem o futebol nem o
roquenrou chegaram ao Brasil e destruíram nossa cultura."
Na área musical, Rita prepara um repertório para gravar um novo disco e quer botar na
estrada um show com muitas mulheres no palco, aproveitando a boa repercussão das
participações especiais de Zélia Duncan, Wanderléia, Paula Toller, Cris Braun e
Cássia Eller e na turnê meio desLeegada.
A uma pergunta sobre a campanha contra a pirataria pelas gravadoras, Rita rebate que "é
um ótimo começo para botar ordem no galinheiro'' E mais: ''O
maior problema porém é que neguinho anda tão sem grana que, na hora de comprar música,
ele dá preferência ao 'pirateiro barateiro' sem saber; ou não, que está contribuindo
para que uma corja de safados destrua nosso patrimônio. Continuo na turma de Tim Maia que
sonhava com discos numerados, acredito que o mundo musical brasileiro seria melhor; tanto
para o artista quanto para a gravadora. Além disso, a pirataria dos sacanas seria mais
facilmente flagradas e rejeitada pelo consumidor de boa vontade''.
PENSAMENTO ECOLÓGICO
ecologia e ecologismo no Brasil e no mundo desde 1978...
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