
Posição incômoda - |
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| por Javie Moreno (El Pais) -
Jornal do Brasil, de 17/07/1999 BONN - Ao voltar recentemente de uma visita a Kiev, o chanceler alemão Gerhard Schröder reconheceu não ter conseguido fazer com que a Ucrânia renuncie à construção, que conta com dinheiro de Berlim, de duas novas centrais nucleares para substituir a de Chernobil, e disse estar preocupado com a incapacidade de resolver a questão, que desestabiliza mais sua coalizão com os verde. Alarmados há dias, os fundamentalistas ecopacifistas não aceitam uma derrota na questão atômica, podendo até mesmo romper a coalizão - na qual seu principal representante é o ministro do Exterior, Joschka Fischer. Por isso o chanceler e o Partido Social-Democrata temem suas manobras. Os verdes fazem parte de um governo que bombardeia a Sérvia, financia reatores nucleares (ainda que seja na Ucrânia) e corta contribuições a velhos e desempregados. A crise de identidade era inevitável e explodiu nesses dias de forma estrondosa. O apoio dos ecopacifistas à guerra de Kosovo salvou da crise o governo Schröder, mas teve como saldo um retrocesso dos verdes nas últimas eleições européias, em que perderam cinco dos 12 deputados com que contavam em Estrasburgo. Eleições - Com cinco eleições regionais a partir de setembro, o setor mais radical dos Verdes, liderado pelo deputado federal Christian Simmert, organizou uma contra-ofensiva, que poucos acreditam que possa derrubar o governo, mas pode acarretar problemas para a imagem de Schröder frente aos eleitores, incomodados com a desunião dentro dos partidos da coalizão e entre eles, para felicidade da oposição democrata-cristã, o CDU Prova disto é a intervenção do ministro da Defesa, o social-democrata Rudolf Scharping, que na quinta-feira pediu ordem aos mais revoltados. Em entrevista ao jornal Süddeutsche Zeitung, ele declarou: "O comportamento dos verdes está ferindo nossa imagem pública; espero que ponham um rápido ponto final em tudo isso". Schröder, no entanto, mostrou-se mais aberto, ao reconhecer que a decisão, que deverá tomar em setembro, sobre a entrega do dinheiro que a Alemanha (junto com os demais países do G-7) se comprometeu a dar para a construção das duas centrais nucleares, será difícil para a coalizão. Nuclear - O assunto da energia atômica (tanto o reator na Ucrânia quanto as difíceis negociações para que a Alemanha se livre aos poucos de suas próprias centrais nucleares) se converteu na última marca de identidade dos verdes, irrenunciável, pois já negaram quase todo o resto. O conteúdo de um manifesto tornado público estes dias por Simmert e seus companheiros, intitulado "Saiamos do novo centro" (de Schröder e seu SPD), desatou a última guerra com o sócio menor. Além disso, o ministro do Meio Ambiente, o verde Jürgen Trittim, ameaçou convocar um congresso extraordinário do partido, à semelhança do realizado recentemente para discutir a guerra de Kosovo, que acabou entre insultos e sujou de tinta vermelha o ministro Fischer, líder dos mais dispostos ao pragmatismo. A ameaça deixou estes últimos nervosos e preocupa o partido do chanceler, que teme o enfraquecimento do governo caso os verdes discutam abertamente se deixam ou não a coalizão, assim como as repercussões negativas de toda esta polêmica sobre os mercados e sobre o euro. |
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