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André de Abreu, para o Int@rnet, do Jornal do Brasil, de 25 de outubro de 2001.

O leitor sempre em primeiro lugar
Alguns cuidados que os jornalistas que escrevem para sites e webdesigners que criam as páginas devem ter.

A usabilidade foi criada para tornar as coisas mais simples e intuitivas. No caso da internet, o objetivo é deixar a navegação e a interface de um site eficientes, permitindo que as pessoas consigam atingir seus objetivos ao visitar determinada página. Só que muitos sites não colocam em prática o conceito de usabilidade, fazendo com que os leitores fiquem perdidos diante de tanta informação oferecida.

Jacob Nielsen, um dos nomes mais citados quando o assunto é usabilidade, faz algumas recomendações aos redatores online, todas baseadas em pesquisas com internautas e que podem ser encontradas na íntegra em seu site, o Useit.com > http://www.useit.com

- Evite escrever mais que 50% do que escreveria para a mídia impressa, pesquisas demonstraram que a leitura na tela do computador é 25% mais lenta do que a leitura no papel.
- Destaque palavras-chave (com negrito, variação de cor e de tipologia): O estudo realizado por Nielsen demonstrou que as pessoas "escaneiam" a tela durante a leitura no monitor, em vez de ler palavra por palavra. A diferenciação de alguns termos ao longo do texto ajudará seu leitor a identificar à primeira vista qual o assunto tratado nele.
- Procure utilizar a técnica da pirâmide invertida: escrever o texto começando pela idéia mais importante e encerrando com as de menor valor. Assim como nos jornais, o primeiro parágrafo de uma matéria deve deixar bem claro ao usuário o que ele irá encontrar no resto do texto.

Além disso, assim como nos meios impressos, a falta de credibilidade e o abuso da linguagem "marketeira" são dois fatores que incomodam o leitor. De acordo com Nielsen, um problema influencia o outro. O uso excessivo de linguagem publicitária nos textos para web pode afetar a credibilidade do veículo. E, ao contrário do que todos pensam, acrescentar links para sites externos em uma matéria é motivo de consideração com o leitor, mostrando que você se preocupou  em selecionar boas referências para que ele se aprofunde no assunto, caso queira.

Para os designers - Outra questão importante é a utilização de Flash nos websites. O Flash, programa desenvolvido pela Macromedia > http://www.macromedia.com é capaz de criar interfaces multimídia para serem utilizadas na internet. Porém, o uso inadequado desta tecnologia causa muitos problemas de usabilidade. Entre eles estão a impossibilidade do usuário enviar uma seção específica de um site para seu bookmark - as pessoas só podem gravar em seus favoritos a página inicial de um site em Flash - dificuldades na hora de imprimir um conteúdo e a incapacidade de copiar e colar textos gerados pelo programa.
Mas, na realidade, o problema não está no Flash e sim na maneira como os desenvolvedores o utilizam. Isso não é implicância dos defensores da usabilidade com os designers de Flash. A própria Macromedia, preocupada com os "crimes contra o internauta", cometidos por alguns sites, lançou um hotsite > http://www.macromedia.com/software/flash/productinfo/usability/ para disseminar entre os programadores de Flash a necessidade de criar websites pensados para o usuário final. O designer tendo tudo isso em mente pode trabalhar em conjunto com o jornalista para aumentar o uso do Flash como apoio ao noticiário diário. Um bom exemplo disso aconteceu durante a cobertura online dos atentados aos EUA em 11 de setembro de 2001.
Vários sites criaram animações interativas que ajudaram o leitor a entender melhor os fatos descritos pelos jornalistas, como o The Charlotte Observer. O jornal online criou um mapa interativo > http://www.charlotte.com/observergraphics/interactive/middleeast.html mostrando a região do Oriente Médio, sua geografia e história. Outro exemplo é o Flash criado pela CNN.com > http://www.cnn.com/SPECIALS/2001/trade.center/map.html que mostra detalhadamente como aconteceram os atentados do dia 11.

André de Abreu, para o Int@rnet, do Jornal do Brasil, de 25 de outubro de 2001.

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